Archive for March, 2011

WIN: Balancing Dominos, Beverages and Blocks, Oh My!

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epic fail photos - WIN: Balancing Dominos, Beverages, and Blocks, Oh My!

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Best Summer Camp Ever!

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OS FILHO DA PUTA JÁ TÊM 30 ANOS, PORRA

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A não ser que você seja um imigrante belga recém-chegado pra roubar empregos brasileiros, já deve ter assistido Batiman na Feira da Fruta. É um vídeo velho e tal, do começo desse milênio, mas ainda assim gerou alguns dos memes mais influentes da cultura Brasil de computadores. Precursor. Em 2011, completam-se 30 anos desde que os amigos Fernando Pettinati e Antônio Camano, respectivamente Batman e Robin —  respectivamente com 18 e 17 anos –, se juntaram na casa do primeiro pra fazer piada. Claro que sem pretensão nenhuma, que em 1981 ninguém sabia o que era internet nem imaginava o que viriam a ser os comédias influentes da rede — fora que a fita original desapareceu por algum tempo, então nem que quisessem poderiam postar o filme no YouTube. Mas aí algum caçador de imbecilidades fez isso, e, bom, o resto você — a não ser que seja um turista sexual holandês recém-chegado — já deve estar ligado. Recentemente chamamos os dois pra uma conversa.

Vice: Falta de namorada, cansados de punheta… Como surgiu a ideia de fazer esse filme?
Fernando: [Risos] A grande novidade na época era o vídeo cassete — era o auge, você via imagem, congelava… Meu irmão foi para os Estados Unidos em 1981 e meu pai pediu pra ele trazer um, então meu irmão trouxe a porra do vídeo cassete. Era um JVC modelo 6700…
Antônio: Foi o Fernando que me apresentou o vídeo cassete. Eu não conhecia.
Fernando: Foi o primeiro com recurso de congelar a imagem, o pause. Ele também permitia que você gravasse som em cima da imagem.
Antônio: O controle remoto era com fio!
Fernando: Só que eu comecei a gravar o seriado do Batman pra tentar ver as brigas em câmera lenta. Sabe aquelas coisas de moleque? Queria ver se os socos pegavam mesmo no rosto. Aí gravei esse episódio sem pensar em qualquer sacanagem, só pra mostrar pros meus amigos. A gente sempre tirou sarro do Batman. Todo mundo gostava e tal, mas pô, sempre tiramos sarro. E o ponto de encontro sempre foi na minha casa de sexta-feira. Aí todo mundo foi lá assistir o filme. Ficamos zoando, tipo “olha a barriga dele. Congela a imagem! Olha que puta cara barrigudo escroto!”, mas nunca tínhamos pensado em dublar. Até um dia que o Antônio foi em casa de tarde e eu perguntei se ele queria dublar.
Antônio: Cara, e aquele microfone era uma coisa assustadora, porque não existia exatamente um microfone. Era um toca-fitas de mesa, daqueles antigos que você apertava e abria a frente e tinha um microfonezinho que vinha junto. Aí a gente usava esse microfone pequenininho pra gravar. Ficava um do lado do outro, e foi assim que surgiu o terror.

As falas já tinham sido escritas antes?
Antônio e Fernando: Não! Nada!

Mas já tinham assistido ao episódio várias vezes?
Fernando:
Dez vezes! Assistia, voltava, assistia, voltava. Eu falava: “Ó, presta atenção no movimento labial”. Depois da décima vez a gente falou: “Vamos gravar agora?” Aí na hora a gente tinha esse disco da “Feira da Fruta”, que na verdade ele quer dizer “filho da puta”. O cara que escuta não entende “feira da fruta”, e sim “filho da puta”. Eu pus isso de propósito, pra sacanear mesmo.

Quanto tempo demorou pra fazerem tudo?
Antônio:
De 45 minutos a uma hora. Era uma coisa feudal. Tanto que tem várias vezes que eu to rindo no meio da gravação, porque simplesmente não dava. “Vou te colocar num colégio interno.” Pfff, vai tomar no cu!

Você tinha escutado essa música num trio elétrico na Bahia, né?
Fernando:
Minha tia foi morar em Salvador, e eu fui passar um carnaval lá em 73. A música do momento era essa, “Feira da Fruta”. Eu achei tão bacana que fui numa loja e comprei um compacto simples, do Grupo Capote.
Antônio: Foi tipo: “Vamos botar só pra ver como vai ficar essa merda”.

E então começaram a dublar as falas. Como decidiram quem ia fazer a voz de qual personagem?
Fernando:
Ah, foi na hora mesmo. Como era um microfone só, a gente teve que combinar, tipo, “Bom, eu faço o Batman, você faz o Robin… Mas e o resto?”
Antônio: “Ah, a gente vai fazendo e foda-se.”
Fernando: Eu fui o Batman, o Chefe O’Hara, o Coringa… O irmão do Antônio fez o comissário Gordon – depois que tava tudo pronto, ele chegou dizendo que também queria gravar, aí voltamos a fita bem na hora que o comissário fala e colocamos ele pra dublar. Já o Antônio fez a Clotilde, alguns capangas e o Robin. É que ele já tinha, assim, uma voz parecida com a do Robin, sabe?
Antônio: Você quer dizer voz de viado, é isso?
Fernando: Olha, viado fica por sua conta.
Antônio: Ah, vai tomar no teu cu! Minha voz é mais fina mesmo.

E a entonação das vozes e tal, pensaram nisso?
Fernando:
Ah, o Coringa é aquela voz mesmo, no original ele faz daquele jeito. E o Batman é mais aquela coisa de super-herói, né? Intelectual, homessexual… E tem também a puta paga. Nossa, a puta paga é demais!
Antônio: “Sua mãe e sua mulher são duas putas pagas!” Agora, eu me pergunto: puta de graça existe?! Tem que ser paga, né? É lógico que puta é paga, se não fosse, não seria puta, seria uma moça fácil, que dá por aí. Mas puta paga é foda. Também tem o baile dos enxutos. Esse é o um termo muito engraçado. Ninguém sabe o que é baile dos enxutos hoje em dia. Os bailes dos enxutos seriam as galas gays de hoje em dia, saca? Mas da época de 60, 70 e tal. Que coisa pobre, né? É uma merda.

Daí rolou tudo direto, sem interrupção?
Fernando:
Só uma hora ou outra que dava uns paus e a gente parava pra rir. Eu falava: “Meu, para de falar tanto palavrão”, porque a gente só falava filha da puta, filha da puta, filha da puta… De cada 10 palavras, 15 eram filho da puta!
Antônio: Tanto que aquela parte “modere seu linguajar” foi por causa disso. Era bronca mesmo! A gente rachava o bico. Uma hora que o Coringa entra, eu não conseguia me controlar – a hora que ele fala com a tia do Batman. “A senhora quer dar o cu pra mim?”. Porra, olha o respeito! [risos] A senhora quer dar o cu pra mim? Que coisa de filho da puta! Essa hora pra mim foi o máximo. Pediu com educação, né?

Qual frase é a que vocês mais gostam do vídeo?
Antônio:
Ah, tem várias… Eu gosto da “vou comer a tia do Batman”. Essa é a clássica. Eu gosto quando o Robin fala “sua putinha relaxada”. E também aquela: “Batman, da onde você tirou esse bat-escudo, hein?”.
Fernando: Aquilo na hora é engraçado, ele faz esse movimento, né? [põe o escudo do cu]. Ele dobra aquele negócio e bota atrás.
Antônio: Aí tem várias frases. Eu gosto do Comissário, o Coringa é sensacional, [imitando] “Uhu uhu uhu!” Aquela voz do Coringa… “Minha filha vem cá!” Os dois brigando era uma merda. “Já são quase três horas!”, e ele responde: “eu já sei ver hora, porra!” [risos] É demais.
Fernando: Também era outra época, né? Tipo o “seu maconheiro”. Naquela época do vídeo, o que era ser um maconheiro? Era uma coisa que não é como hoje. Hoje o cara pode fumar um baseado aqui na rua e ninguém vai falar nada. Mas naquela época era uma coisa mais pesada.
Antônio: Era bandido! Cara que era maconheiro era bandido. Viado, homessexual também era tachado como criminoso. Então quando você falava que um cara era viado e maconheiro, puta que pariu, era pra chamar pro pau. Tanto que aquela cena que o Robin fala: “quem é o maconheiro aí hein?” e o Fernando responde: “engraçadinho você hein?”, era porque era um negócio muito ofensivo. Hoje tão cagando e andando, é uma maravilha. Engraçado que também na versão original, em português, aquela hora que o Robin entra no bar e pede maconha, o assunto do Robin com o cara é tipo, “ah, vai lá em tal lugar pra ver uns caras”. Aí o Robin vira e fala: “Eu conheço, esses caras são uns vivaldinos”. Cara, vivaldinos?! Olha esse termo pra bandido que ele usa. É trash.
Fernando: Aí depois ele pega um cigarro e tosse. E nisso você vê a cara de satisfação do Batman, vendo como o Robin é politicamente correto e tal… Isso em 66 né?

Vocês ainda têm a fita original?
Antônio:
Não. Nós gravamos isso em 1981. Em 85 ela já tinha sumido. Sabe aquela coisa, empresta pra um colega, que empresta pra outro… O vídeo cassete começou a ficar mais popular, aí pediam emprestada e a fita ficava fora 15 dias, voltava, depois 20, depois um mês… Até que ela desapareceu e nunca mais voltou. Ou seja, a gente ficou de 85 até 2002 sem ver a fita.

Que foi quando postaram na internet.
Antônio:
É.

E como foi ver esse vídeo na internet tanto tempo depois?
Fernando: Na verdade foi assim: eu tava trabalhando e recebi um e-mail dizendo “eu sei quem fez a fita do Batman”. Pensei “que cazzo é isso?”. Aí apareceu um texto tipo: “diz a lenda que a dublagem foi feita em 1985 por dois amigos que moravam no mesmo prédio” e mais um monte de coisas. Eu pensei: esse cara tá falando do filme que eu dublei com o Antônio?! Comecei a ler, e era um texto gigante. Daí decidi responder. “Olha, meu nome é Fernando, e na verdade esse filme foi feito em 81 por mim, um amigo meu e o irmão dele.” Contei a história ali, rapidinho, e deixei o telefone pra contato. Deu dois minutos e tocou meu celular. Atendi e o cara já veio falando: “Meu, você acabou de responder um email pra mim… Você tá falando que você é um dos caras que fizeram o filme do Batman?”. Respondi que sim. “Não, espera aí… Eu tô falando com o CARA que fez o filme do Batman? Faz um pouquinho da voz dele pra eu ouvir.” Pensei que o cara fosse louco. “Quem tá falando?”, perguntei. Ele perguntou: “Vocês têm noção de quanta gente já viu seu filme?”, aí me mandou um site. Era um site só com o áudio da dublagem. Passei pro Antônio na hora, e quando ele abriu tomou um susto. Expliquei que era um fã e tinha mais um monte de gente que tinha visto o vídeo.
Antônio:
A minha primeira reação foi falar que aquilo era uma pegadinha. “Fernando, isso é uma pegadinha, tamo fudido, a gente vai ser preso, isso é uma pegadinha…” E quando a gente passou o contato pro cara, ele marcou uma festa pra conhecer a gente, e eu falava: “Fernando, a gente tá fudido, a gente vai tomar uma cana do caralho, esses caras não tão de brincadeira!” Nem levamos nossas esposas, porque caso a gente fosse preso pelo menos elas tiravam a gente da cadeia. Estávamos numa neura psicótica porque, pô, imagina só, do anonimato a uma coisa que um monte de gente tava vendo. Eu tinha achado meio estranho, mas fomos. Chegamos lá e o negócio estava lotado! Aí deram pra gente uma cópia em DVD do Feira da Fruta. Depois de 17 anos! Tinham conseguido a imagem digitalizada, remasterizaram…

Então essa versão do YouTube é remasterizada?
Fernando:
A original tava tão gasta que a cor ia e vinha, já não dava pra ver muita coisa.
Antônio: Fita gasta, não tem como.

Mas por que acharam que iam em cana?
Antônio:
Ah, cara, porque não tinha como saber. Você tá lá, fazendo o seu dia a dia, normal, aí depois, com 30 e tantos anos, entra na internet e vê uma coisa que você fez com 18 e tem uma legião de fãs?! Cara, deu pânico total! A gente fez aquilo sem pretensão nenhuma.
Fernando: Depois teve até quem ligasse do Jô Soares, mas não quis ir. Mas a gente foi no programa do João Gordo.

Por que não ao Jô Soares?
Fernando:
A produção ligou pra gente falando que tinha interesse em fazer uma matéria com a gente sobre o poder da internet em fazer proliferar coisas pequenas. Esse ia ser o tema, e eu disse: “Não, obrigado”. Ia ficar falando o quê lá?
Antônio: Vocês conhecem a agência Bullet?

Sim.
Antônio: Então, o VP de criação de lá me disse que durante um tempo o Feira da Fruta fazia parte do treinamento dos funcionários de criação. Eu achei sensacional!

Já chegaram a ganhar dinheiro com algo relacionado ao filme?
Antônio: Nunca. Nem um centavo. Só fizemos boas amizades. Tem gente que faz camisetas do Feira da Fruta e tal.

Mas já quiseram ganhar dinheiro com isso?
Antônio:
Claro que sempre quisemos, porra. Queria ficar milionário! Mas não somos do ramo. Eu também nem sei de quem são os direitos, acho que são da Fox. Pô, não vamos bater de frente com uma empresa dessa. A gente ia estar fudido, mas como a gente ia saber que aquilo ia cair na internet? Aliás, como a gente ia saber que a internet ia existir no Brasil?!

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